quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Vozes de Ontem, Memórias de Hoje: O que os leitores Dizem sobre Nossa História/ Frigorifico Renner


"Amigos!

Apresento a vocês um documento precioso: o resgate dos comentários que deram vida ao Blog Frigorífico Renner, Uma Griffe. Aqui, a memória não é apenas passado, é movimento. São vozes de todos os recantos — de quem ainda pisa no chão de Montenegro aos que levaram a cidade no coração para longe.

Estes relatos são a prova da repercussão de um trabalho que tocou a alma de quem conheceu o 'Renna', ícone da nossa região. Convido vocês a lerem e comentarem agora no Crônicas da Vera Renner, onde seguiremos repercutindo esses destaques.

Ouçam com bons ouvidos e leiam com bons olhos. Matem a saudade, mas jamais enterrem a esperança que esta indústria plantou em milhares de

🌟 Destaque Especial: A Raiz da Memória

Homenagem em "Meu pai" (05/07/2014)

"Parabéns Vera, depoimento lindo!! Justa a homenagem do Jornal O Progresso. Teu pai fez por nossa cidade o que muitos ainda tentam fazer. Homem além de seu tempo. Muitos montenegrinos, e eu também, lembramos com dolorosa saudade os bons tempos do Frigo-Renner..."

Mário Machado Pinto em "O matadouro" (19/07/2012)

"Espetáculo! Parabéns por este importante registro histórico!"

Maria Rosa em "O abraço" (28/07/2012)

"Vera, li do último ao primeiro texto sobre a história do frigorífico e fiquei me perguntando: Por quê? Como uma empresa importante e reconhecida pode ir para trás e desaparecer? Essa minha pergunta é um lamento que os teus textos provocam. Haverá um capítulo com esperança? Beijos."

Jureva Costa em "O guarda-livros" (07/09/2012)

"Li todas as postagens tuas e a cada uma me emociono mais. Eu também leio e releio sempre, porque o Frigorífico Renner fez parte da minha infância e juventude. Abraços."

Carmen em "O guarda-livros" (07/09/2012)

"Oi Vera... é demais poder contar uma história assim que fez parte da tua vida e de uma população. São tantos olhares que emociona. Beijos e um ótimo feriado!"

Vagner Arend Coitinho em "O guarda-livros" (07/09/2012)

"Bah, Vera. Li e reli estes textos devorando cada palavra. Na esperança de descobrir o porquê do sucateamento do antigo 'Renna'. Como aquele gigante de tijolos, sentado às margens do Rio Caí, pode ser sucateado e depredado aos poucos... Mas, ao mesmo tem, resistindo bravamente a cada investida. Parabéns a quem tem o dom da palavra."

Alexandre Muniz de Moura em "O guarda-livros" (07/09/2012)

"Preciosidade."

Carlos Inacio Talavera Campos em "O guarda-livros" (07/09/2012)

"Que Deus te ilumine e inspire sempre para seguires incólume nesta vereda. Grande abraço."

Maria Rosa em "A tripa" (09/09/2012)

"É um forte testemunho de resistência pela memória e serve de exemplo a outras resistências para que a história não se perca."

Dirce em "O tapume" (16/09/2012)

"VERA!!!! Que histórias lindas estás contando sobre o Frigorífico Renner, fiquei com vontade de saber mais... Como tens o dom da palavras teus relatos dão vida a estas experiências."

Carmen em "A Banha" (07/10/2012)

"Oi Vera... é incrível a tua lembrança transformada em palavras tão próximas do nosso entendimento. Parabéns... bom domingo!"

Édson Luiz V. Silva em "A Banha" (07/10/2012)

"Maravilha! 'Saudades do que não vivi', que é uma frase apontada com muitos autores, consegue definir o que sinto lendo o teu texto."

Pitá em "A Banha" (08/10/2012)

"Muito linda as tuas crônicas e lembranças, amei, sempre me emocionam muuuuuuuuuuuuito!!!!!!! Beijos!!!!"

Desconhecido em "O elevador" (16/10/2012)

"Andei pela volta do rio até chegar ao esqueleto do que outrora foi o Frigorífico Renner. Fiquei analisando a estrutura boquiaberto. Como pode tamanha empresa fechar suas portas assim? Mas eu lembro bem do logo, um menino a lamber os 'beiços' de satisfação. Será que alguém ainda tem uma foto deste logo para matarmos a saudade???"

Jureva Costa em "O ciúme" (24/11/2012)

"Continuo rogando para que não se concretize a implosão do prédio e a destruição do nosso querido cais. Cais e fábrica, amores que levo por toda minha vida."

Marilda em "O carnaval" (17/02/2013)

"Beleza, muita beleza. Deu vontade de conhecer in loco. Bjs."

Fernando Griebeler em "Reflexo" (18/04/2014)

"Vera Lucia, achei a crônica reflexo genial, sensível, autêntica e reflete quem és. Mil beijos."

Xiru Vianna em "Beirada" (30/06/2014)

"Vera Lucia!! Lindíssimo... sem palavras. Aliás seus textos são maravilhosos, pureza de alma e verdadeiros são incríveis. Parabéns."

m.reginasouza68@gmail.com em "A preservação" (02/02/2021)

"Quantas vidas passaram e pensamentos talvez ainda reverberem por lá... Quem não quer a memória é quem não viveu."

Alexandre Muniz de Moura em "O guarda-livros" (07/09/2012)

"Preciosidade"

Carlos Inacio Talavera Campos em "O guarda-livros" (08/09/2012)

"Que Deus te ilumine e inspire sempre para seguires incólume nesta vereda. Grande abraço."

Maria Rosa em "A tripa" (09/09/2012)

"Vera, eu tinha escrito mais ou menos assim: É um forte testemunho de resistência pela memória e serve de exemplo a outras resistências para que a história não se perca. Beijos."

Dirce em "O tapume" (16/09/2012)

"VERA!!!! Que histórias lindas estás contando sobre o Frigorífico Renner, fiquei com vontade de saber mais, como foi iniciado, quanto tempo durou, porque terminou? Como tens o dom da palavras teus relatos dão vida a estas experiências."

Carmen em "A Banha" (07/10/2012)

"Oi Vera... é incrivel a tua lembrança transformada em palavras tão próximas do nosso entendimento. Parabéns... bom domingo e bom voto!"

Edson Luiz V. Silva em "A Banha" (07/10/2012)

"Maravilha! 'Saudades do que não vivi', que é uma frase apontada com muitos autores, consegue definir o que sinto lendo o teu texto."

Pitá em "A Banha" (08/10/2012)

"Oi Vera Lucia!!!!!!!! Muito linda as tuas crônicas e lembranças, amei, sempre me emocionam muuuuuuuuuuuuito!!!!!!! Beijos!!!!"

Leitor Desconhecido em "O elevador" (16/10/2012)

"Andei pela volta do rio até chegar ao esqueleto do que outrora foi o Frigorífico Renner. Fiquei analisando a estrutura boquiaberto. Como pode tamanha empresa fechar suas portas assim? Mas eu lembro bem do logo, se não me engano de um menino com a língua a lamber os 'beiços' de satisfação. Será que alguém ainda tem uma foto ou imagem deste logo para vermos e matarmos a saudade???"

Jureva Costa em "O ciúme" (24/11/2012)

"Vera Lucia, continuo elevando meu pensamento a Deus e rogando não se concretize a implosão do prédio e, junto, a destruição do nosso querido cais. Cais e fábrica, amores que levo por toda minha vida. Grande abraço!"

Marilda em "O carnaval" (17/02/2013)

"Vera, beleza, muita beleza. Deu vontade de conhecer in loco. Bjs."

Maria Rosa em "Frieza" (07/04/2014)

"Que linda fábula! Me entristeci com ela, mas procurei fixar tua última frase. Beijos."

Fernando Griebeler em "Reflexo" (18/04/2014)

"Vera Lucia, achei a crônica reflexo genial, sensível, autêntica e reflete quem és. Mil beijos."

Xiru Vianna em "Beirada" (30/06/2014)

"Vera Lucia!! Lindíssimo... sem palavras. Aliás seus textos são maravilhosos, pureza de alma e verdadeiros são incríveis. Parabéns!"

Leitor Desconhecido em "Meu pai" (05/07/2014)

"Parabéns Vera, depoimento lindo!! Justa a homenagem do Jornal O Progresso, teu pai fez por nossa cidade o que muitos ainda tentam fazer. Homem além de seu tempo. Muitos montenegrinos lembramos, com dolorosa saudade, os bons tempos do Frigo-Renner... abração."

m.reginasouza68@gmail.com em "A preservação" (02/02/2021)

"Quantas vidas passaram e pensamentos talvez ainda reverberem por lá... Quem não quer a memória é quem não viveu."

Conclusão

Estes relatos são mais do que simples textos; são o eco de uma era que moldou Montenegro e a vida de milhares de pessoas. Que este documento sirva para manter a chama acesa, pois, como bem dito por um de seus leitores: "Quem não quer a memória é quem não viveu. "Siga firme, Vera. O seu trabalho de resgate é a ponte entre o que fomos e o que ainda podemos ser.

Leiam com bons olhos e ouçam com bons ouvidos.

 

Introdução: Um pouco da história do Frigorifico Renner Montenegro RS

 


Por Vera Lucia Renner

O ano era de 1896 no Vale do Caí quando meu bisavô descendente de alemães,  Jacob Renner, fundou a Refinaria de Banha Rosa produto que era utilizado na cozinha e no preparo de muitos alimentos como sendo o principal. Meu avô Julio Renner herdeiro do complexo industrial expandiu o negócio transformando a então refinaria no Frigorifico Renner. Com um corpo de funcionários expressivo da cidade e prestação de serviços da região, alcançou uma produção relevante em mateira de produtos oriundos do abate de gado bovino e de suínos.

Meu pai, Julio Gaspar Renner assumiu o comando da empresa e na sequência meu irmão Júlio Alfredo Renner. O negócio expandiu com velocidade galgando uma expansão internacional que necessitou de grandes investimentos para ajustar a qualidade que a exportação dos produtos exigia. Ocorreu uma instabilidade no mercado internacional levando a empresa à dificuldades financeiras ocasionando a decretação da falência em janeiro de 1980. A massa falida foi leiloada e adquirida pela Coopave de Lajeado que também teve problemas e na sequência fechou as portas. (Vera Lucia Renner)

sábado, 31 de maio de 2025

Gente da Terra

 




Crédito "Canal Youtube Ralp Vida & Esperança"

https://www.youtube.com/@RalpVidaEsperanca







Jacob Renner casou com Clara Fetter

A família morava em Alto Feliz. Eles possuíam uma fábrica de banha que Jacob tratou de transferir para a cidade de Carlos Barbosa em 1908, já prevendo a inauguração da estrada de ferro que ligava Porto Alegre a Caxias do Sul.

Em 1917 Jacob mudou sua fábrica para Montenegro. É a mesma fábrica que, posteriormente, foi liderada por seu irmão Júlio Renner e que veio a se transformar no Frigorífico Renner , um dos maiores produtores de fiambres do Brasil.






Casa Renner

 


Casa da Família Renner em Montenegro

A casa da Familia Renner é datada de 1900 e está instalada até hoje na Rua Capitão Cruz 1381, possuindo um estilo clássico das casas de época. Nos dias de hoje a Familia de Julio Alfredo Renner e Maria Fernanda D’Almeida Renner residem no endereço.

Refinaria de Banha Rosa J. Renner & Cia.

 


Em 1908 Jacob Renner tinha sob sua direção uma fábrica de banha situada em Carlos Barbosa na serra gaúcha. Com a proximidade de inauguração da estrada de ferro que ligaria Porto Alegre a Caxias do Sul Jacob, em 1917,  decidiu transferir o complexo industrial para a cidade de Montenegro. Anos após a mesma fábrica foi liderada por seu irmão Júlio Renner  que veio a se transformar no Frigorífico Renner, um dos maiores produtores de fiambres do estado.

Julio Renner e Araci Leite Renner


 

Julio Gaspar Renner e Vera Renner

 


Julio Alfredo Renner e Maria Fernanda D’Almeida Renner

 


O Tropeiro

 



As granjas ao redor da cidade de Montenegro forneciam a matéria prima para fabricar a famosa Banha Rosa e os embutidos e fiambres que provinham da carne suína. Atravessavam a cidade até a chegada do imenso prédio icônico   erguido na beira do rio Caí, no Porto das Laranjeiras.

Banha Rosa com fama internacional


 

Resultado da matéria prima de altíssima qualidade a Banha Rosa galgou a preferência de todos com sua pasta branca refinada e cheirosa com destino certo, dar sabor aos alimentos em boa e reluzente panela de ferro.  Uma propaganda bem feita com um mote simples de boa comida ganhou o país inteiro.

Navio que abastecia o mundo


 

A produção semanal dos produtos do Frigorifico eram transportados para todo o Brasil através do navio da empresa.

A ala dos embutidos era capitaneada com capricho

 



Os embutidos do Frigorifico figuravam como as grandes delicias do Brasil e do mundo, havendo um verdadeiro exército de funcionários, motoristas, entregadores e pessoal da contabilidade que exercia suas tarefas com entusiasmo e precisão dando conta da grande produção que se espalhava de norte a sul do Brasil.

Os produtos eram diversificados

                                              



A reunião de excelente plantel de animais, tanto suínos quando bovinos conferiu a qualidade excepcional dos embutidos do Frigorifico e assim teve notório sucesso em todo mundo.



 

A Filial de Porto Alegre

 



A filial de Porto Alegre movimentava a cidade

Toda produção da semana era encaminhada para a Filial de Porto localizada na Rua Santo Antônio e dali era direcionada por rodovia, por rio e pelo navio da empresa..

Agradecimentos

  


                                                          

Tenho muitos agradecimentos a fazer quando decidi renovar este Blog que foi criado em 2012, atualizar dados históricos, sem deixar de relatar os acontecimentos da derrubada do prédio do Frigorifico Renner. A memória dos meus ancestrais figuram neste relato lúdico, humano e emocional em que pese todas as colaborações.

Esta iniciativa aconteceu em fevereiro de 2025, a partir de um contato da minha amiga de adolescência, Maria Clara Chassot, de Montenegro, através de uma Rede Social.  As memórias foram evoluindo, minha familia, amigos, conhecidos e moradores de Montenegro prestigiaram a iniciativa e a resolução de enriquecer o material - que foi instintivamente criado  anos atrás - cresceu e se consolidou. Uma singela homenagem a todos eles!

Maria Fernanda D'Almeida Renner e Julio Alfredo Renner

Dennis Renner Peter, Bisneto do Fundador Jacob Renner e Mestre em Design

Maria Clara Chassot, amiga de infância, incentivadora e divulgadora.

Regina Simões - amiga de infância em Montenegro e incentivadora.

Jorge Lewis Esswein, ex-funcionário de 1971 a 1973, leitor e incentivador.

Eloi Roque Dalcin, ex-funcionário de 1968 a 1973, leitor e incentivador.

Tina Griebeler, jornalista Montenegro/RS

Alexandre Quadros Pereira - Técnico em Informática- Capão Novo RS

Márcio Reinheimer e Janaina Azevedo Lopes / Autores do livro Memórias do Renner da Editora Ibiá em 2015.

Editora Ibiá

João Batista Teixeira e toda equipe do Jornal O Progresso de Montenegro.

Daiane Almeida de Azevedo historiadora e Diretora do Patrimônio Histórico e Cultura de Montenegro.

Angela Coutinho, acervo fotográfico.

Depoimentos - Maria Clara Chassot, Jorge Lewis Esswein e Eloi Roque Dalcin

Alguns montenegrinos ao se depararem com o Blog do Frigorifico Renner, dez anos depois de ocorrida a demolição definitiva, fizeram contato comigo e, gentil e amorosamente, deixaram seus depoimentos. Confiram !

Maria Clara Chassot



 “Minha adolescência ocorreu em Montenegro, uma cidade pequena com poucas indústrias o qual se destacava o Frigorifico Renner que empregava muitos montenegrinos. Vera Lucia fazia parte da minha turma até finalizarmos os estudos de base ocorrendo naturalmente a migração dos amigos para outras cidades, finalizando aquela etapa da vida. Reencontrei minha amiga de antigamente na internet ao me deparar com suas crônicas e acabei seguindo fielmente suas postagens. Fiz um contato pessoal e descobri que havia um Blog sobre o processo de demolição do Frigorifico no período de 2012 a 2015, ocasião da derrubada definitiva do Prédio. A narrativa é carregada de emoção e sentimento de honra."


Depoimento - Jorge Lewis Esswein ex-funcionário

 


Crédito "Canal Youtube Ralp Vida & Esperança"
@ralpvidaesperança
https://www.youtube.com/@RalpVidaEsperanca


 “Fiquei muito emocionado com a leitura do material que compõe este Blog que conta a trajetória de um dos maiores ícones que Montenegro já viu, o nosso Frigorifico Renner. Tive a honra de trabalhar por lá de 1971 a 1973, meu primeiro emprego com carteira assinada, aos 14 anos. Uma das minhas funções  no arquivo do escritório era de recolher os cartões ponto de todos os colaboradores, e desta forma, andava por todos os andares do prédio de onde nasceram grandes amizades. Delma Maria de Lucca, uma moça muito querida da salsicharia me apelidou de Passarinho porque eu era muito magrinho, pernas compridas e finas e cabelos longos e crespos que saiam da touca branca. Até hoje sou conhecido por este apelido pelos antigos colegas da fábrica. Uma linda lembrança de tempos que não voltam mais.

Mas, a vida nos leva para caminhos que jamais poderíamos imaginar. Depois de tantos e tantos anos acabei conhecendo a Vera Lúcia pelo seu Blog onde consegui reviver todas as maravilhosas histórias que vivemos no alvorecer das nossas vidas. Deus é muito legal com a gente. Obrigado por me proporcionar tantas lindas lembranças e conhecer um pouquinho mais das origens da família Renner, que foi durante toda a minha vida uma grande inspiração.

Vou levar o Frigorífico Renner e meus amigos daquela época para sempre dentro do meu coração."


Depoimento - Eloi Roque Dalcin – ex-funcionário

 



“Trabalhei no Frigorifico Renner de 1968 a 1973, com apenas 16 anos e com muita responsabilidade. Passei pela Contabilidade, Área de Vendas, no setor de liberação de pedidos de enlatados para todo o Brasil, na sequência fazia a programação semanal da produção para atender os pedidos em carteira, emissão de notas fiscais para atendimento dos representantes e respectivo despacho para as transportadoras bem como emissão de notas fiscais de exportação de carne para abastecer o navio da Pescal. Sou muito grato pela oportunidade e aprendizado que teve grande relevância na minha vida profissional. Satisfeito por ver neste Blog uma parte da minha trajetória no Frigorifico.

Meu pai - Pé na terra mão no mar

 




Quando penso em meu pai lembro, em primeiro lugar, de um grande jornal e ele por detrás do mesmo me fazendo pensar como seria ficar tanto tempo entretido atrás daquele papel, preto e branco, áspero e que sujava as mãos. Depois, vinha o telefone preto em que se enfiava o dedo no buraquinho redondo com o número e se conversava com a telefonista, havendo depois, uma longa espera para que o dito cujo aparelho voltasse a tocar. Aí, sim, que sina a nossa assistindo sem nada entender horas e horas de conversas e até hoje tenho a impressão que ele comandava tudo por ali, o mundo e todos nós.  Ultimamente ando pensando que o meu amor por ler jornais e falar ao telefone – que coisa antiga - começou ali, do hábito dele se informar e se comunicar. Para fora, bem entendido. 

A feição dele era muito resoluta e séria, mas se amenizava quando nós os três irmãos nos escondíamos atrás das cortinas do quarto para ele nos encontrar, quando chegava de suas longas viagens. Ele também não ria muito em casa, hábito bem comum nos adultos daquela época, ou, talvez, porque não quisesse nos dar balda.  

Eu lembro também do cheiro dele que rescindia a charuto e em uma época houve o fumo de cachimbo que eu adorava. Gosto até hoje e levanto o nariz perseguindo o aroma quando círculo por algum lugar na cidade que recebe os adeptos. Os hábitos de casa também me vêm à mente como o ranger da porta do armário em que ficava o uísque preferido, o som seco do gelo ao cair no copo e depois o borbulhar da água mineral complementando o drink especial de época. O copo alto de cristal com desenhos primorosos e de cores suaves, eram perfeitos na degustação da bebida. Ele era um patriarca de bom gosto.  

A música clássica ecoava pela casa e quando ele ficou estafado acho que parte da cura veio através dos múltiplos vinis que lhe fizeram companhia em todos os momentos em que se recuperava. Eu ficava de longe, espiando e rezando para sentir novamente o cheiro dos seus tabacos maravilhosos e do buquê de suas bebidas pedindo a Deus que os jornais chegassem aos milhares e que o telefone nos ensurdecesse, só para vê-lo circular autoritário – quem diria – pela casa. Mesmo assim ficava eu em silêncio porque naquele tempo criança não falava. Calada eu já era, então, piorei.   

Ele era um homem poderoso e visionário com todos os seus talentos aperfeiçoados por vontade própria, um autodidata esforçado e com esta vontade férrea andou sempre para frente.  De todos os talentos dele eu não herdei nenhum, a não ser a teimosia.

Minha mãe Vera Renner

 



 

É sempre o inesperado quem me acolhe ao lembrar minha Mãe e quase sempre é algo que vejo em mim, o que não é difícil uma vez que estou envelhecendo e meus traços vão tomando um contorno muito semelhante a ela como uma condição atávica. 

Ao andar pela casa vou tropeçando em quase tudo que lembra a casa dela porque alguns objetos fizeram parte da minha vida toda. Além disso o jeito de arrumar é muito parecido. Quase não possuo móveis modernos, os meus enfeites são as porcelanas e objetos que vieram desde a casa em que nasci passando pelas doações de tia e avós. A minha arrumação fica quase que sendo um santuário de lembranças e assim eu vou vivendo sempre de olho no que é belo, que tem tradição e me conforta, comprovando que eu não preciso de nada. 

Na aparência acontece a mesma coisa. Quando eu visto uma roupa colorida – que não é minha preferência – fica claro que fui empurrada para aquele figurino como se houvesse uma força maior. A mesma coisa acontece ao me olhar no espelho e ver em mim as rugas dela, o cabelo escasseando nas têmporas e branqueando em torno do rosto como assim foi em minha Mãe. Na manicure as mãos que se estendem na vaidade são distintas na cor do esmalte, e então começo a perceber nossas diferenças. 

Ao contrario de mim ela era contida, não tinha o riso fácil e falava baixo, acho que era porque o seu interior de artista brilhante puxava o seu melhor para dentro, guardando elementos para poder dispô-los em suas artes manuais. Hoje eu sei que suas gargalhadas migraram no entrelaçamento das tapeçarias que tecia constantemente deixando um rastro dos seus sentimentos alegres e coloridos pendurado na parede. 

O brilho do seu olhar estava refletido nas mil miçangas com que bordou ponto a ponto meus vestidos de baile e suas alegrias ficaram enfurnadas nas longas luvas de cetim que compunha o traje que escondia meu braço magrelo e sem traquejo social, porém, minha Mãe possuía glamour nato que assim me era conferido. Ainda escuto o rufar da maquina de costura que ela acelerava com os pés parecendo um trem antigo que ruidosamente lhe fazia companhia. 

Não tenho o dom que minha Mãe tinha para a costura e o bordado mas gosto de pensar que a minha intimidade com a escrita e meu despudor em demonstrar o que me vai dentro da alma costurando histórias através das letras vem deste talento dela.

Vozes de Ontem, Memórias de Hoje: O que os leitores Dizem sobre Nossa História/ Frigorifico Renner

"Amigos! Apresento a vocês um documento precioso: o resgate dos comentários que deram vida ao Blog Frigorífico Renner, Uma Griffe . A...